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Pax et Bonum. (Paz e bem)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Novos caminhos, nova vida, ao serviço do Senhor

"Devemos fundamentar nossa fé, a exemplo de São Paulo em suas comunidades, na ressurreição de Jesus".
Foi com estas e muitas outras sábias palavras que dom Joaquim Wladimir Lopes Dias exortou o povo de Deus em sua última missa na Diocese de Jundiaí, ontem (14.03.2012), às 19h na capela da matriz da Paróquia Nova Jerusalém.
Na ocasião, durante o Santo Sacrifício, no momento da homilia, ele fez um chamado à conversão e à entrega a Deus, sobretudo enfatizando a liturgia do dia e o tempo da Quaresma em que vivemos.
Nossa fé deve ser sustentada, realmente, pelo acontecimento que estamos esperando: a Páscoa, na qual celebramos a maior festa, a maior alegria das nossas vidas: o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. É certo que isso celebramos todos os dias, mas não da mesma maneira, não com a mesma alegria como celebraremos no próximo dia 07.04, na Vigília da Páscoa.
"Não está aqui: Ressuscitou!" (Lc 24, 6). Esse deve ser o motivo por estarmos reunidos todos em nome de Deus, justamente por ele não estar mais onde estava, onde deixaram-no, mas por estar onde Deus quer.
É nesse sentido que, como que fazendo uma ponte, desejamos todos a dom Wladimir muita paz e que ele possa cumprir o chamado do Altíssimo na Arquidiocese de Vitória, como auxiliar de Sua Excelência Reverendíssima dom Luiz Mancilla, conduzindo a nova porção do Povo de Deus que lhe foi confiada por meio da Igreja.
Hoje, ao chegar da faculdade no Seminário Diocesano, me lembrei que ele não estava mais aqui, partiu para sua nova morada pela manhã, e senti como que um vazio: alguém estava faltando à mesa do almoço. Há bem pouco ele não está aqui e já está trazendo saudades, como o bom Reitor que foi.
Inobstante, não devemos, nem eu, nem os outros, nos compadecermos disso. Ao contrário, devemos nos alegrar, pois perdemos um pai, mas a Igreja ganhou um Bispo, verdadeiro e legítimo sucessor dos apóstolos, que vai guiá-la e conduzí-la.
"Fiat mihi secundum verbum tuum" Faça-se em mim segundo a vossa palavra (Lc 1, 38). Que Maria, como no seu lema episcopal, possa fortalecê-lo e dar coragem ao senhor, assim como confiou em Deus e não hesitou em dizer seu sim a Ele. O seu sim já está dito. Ficam, agora, as nossas orações para que dê forças na sua nova missão.
Com saudades, lembranças de todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, reconhecem seu grande trabalho por aqui.
Que Deus esteja sempre ao seu lado e que o Espírito Santo ilumine seus passos.

A posse canônica de dom Wladimir será realizada no próximo domingo, dia 18.03, às 9h na Catedral Metropolitana de Vitória, ES, com transmissão ao vivo pela Rede Vida de Televisão.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Carnaval e Quaresma




Um novo (e, ao mesmo tempo, antigo) tempo se aproxima...
Estamos no tríduo intersticial das efemérides momescas (resumindo, carnaval), tempo de alegrias e muita festa.
Teoricamente, esse evento que arrasta as multidões tem, em si, um sentido bem interessante que, apesar de não ser levado tanto em consideração, merece a nossa atenção.

O carnaval é uma festa que remonta dos tempos mais antigos (por volta do século VI antes de Cristo), na Grécia arcaica, onde comemoravam-se as festas bacanais (o nome veio pela tradição romana do deus Baco). Era a situação em que se comemorava a festa da primavera ou o início do ano civil. O tempo foi passando e, de pouco em pouco, já em tempos cristãos, ao invés de se suprimir tais comemorações, os padres da Igreja decidiram por "incorporá-las" no calendário litúrgico. Como eram festas onde se comemorava muito, comia-se muita carne e usava-se máscaras, acabou-se aproveitando a situação para, digamos, comemorar o último dia do ano em que se poderia fazer isso, às vésperas da Quaresma, tempo de jejum e abstinência.
Hoje comemoramos o carnaval e nem sequer nos lembramos do real sentido que tem (mesmo porque muitas pessoas nem levam em consideração que, no dia seguinte, começa um período de quarenta dias de jejum e abstinência e vivem como se fosse um tempo "normal").
Não sou contra o carnaval. Quem quiser aproveitar, fique à vontade, desde que seja desfrutado com santidade e se coloque o verdadeiro sentido no coração).
O que interessa mesmo é a Quaresma, que se inicia após o carnaval, ocasião em que, segundo o Código de Direito Canônico, cân. 1251, "observem-se a abstinência e o jejum na Quarta-feria de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo".
Afinal, para que tais prescrições? Para que fazer jejum e abstinência? Para que se resguardar?
A resposta é bem simples: esse é o tempo de preparação para a maior solenidade da Igreja Católica, a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, ocasião em que se celebra Sua Ressurreição.
É por isso que, por exemplo, na missa, usa-se a cor roxa, não se canta o Glória, não se pronuncia Aleluia, não se batem palmas, não se orna a Igreja com flores coloridas, os instrumentos são moderados etc. Tudo isso para que nos resguardemos e, de certa forma, nos acostumemos com tal maneira de celebrar para que, na celebração da Grande Festa da Páscoa, possamos exaltar com a mais jubilosa alegria, ao entoarmos o Glória, cantarmos Aleluia, batermos palmas com a mais sublime solenidade, ornamentada com os matizes mais diversos e variados em flores nos ornamentos pela Ressurreição de Cristo para a Vida Eterna!
Incrível como a Igreja preza por esse acontecimento de tal forma que propõe uma mudança na nossa maneira de viver para que, quando chegar a hora, possamos exaltar com uma alegria jamais vivida antes.
Bom... Ainda estamos para começar a Quaresma, comecemos a deixar as alegrias da Páscoa para o momento em que iremos celebrá-la e vivamos como cristãos autênticos esse tempo de conversão. Que essa não seja mais uma Quaresma, mas a Quaresma de nossas vidas, a melhor de todas, aquela em que mais vivemos o verdadeiro sentido da
preparação para a Páscoa.
Este tempo nos convida fortemente à oração, à penitência e à caridade. Esforcemo-nos, pois, para que possamos ser mais fiéis a Deus, rezemos para que Ele nos ajude a ser mais santos e que possamos viver esse tempo de Graça nas nossas vidas, deixando-nos converter e ajudando aos pobres, sobretudo em espírito.

Espero poder voltar em breve para escrever
mais sobre esses tempos.

E rezemos todos a Maria, que está junto de seu filho, para que possa nos cobrir com seu manto e nos ajudar a viver esse tempo de recolhimento dignamente, ela que viu seu filho no sofrimento do Calvário e, mesmo assim, continuou até o fim e, hoje, é aclamada como Rainha do céu e da terra. Amém.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo (séc. XII)

Estive dando uma olhada nos meus arquivos antigos e achei esse belo trecho das catequeses de São João Crisóstomo, falando sobre o mistério pascal de Cristo e sua relação com toda a história. É muito bonita. Vale a pena dar uma olhada, é um texto curto.



Liturgia das Horas, vol. II - Ofício das Leituras da Sexta-feira da Paixão do Senhor, p. 415


Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo (séc. IV)

O poder do sangue de Cristo

Queres conhecer o poder do sangue de Cristo? Voltemos às figuras que o profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, disse Moisés, um cordeiro de um ano e marcai as portas com o seu sangue (cf. Ex 12,6-7). Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem dotado de razão? É claro que não, responde ele, não porque é sangue, mas por ser figura do sangue do Senhor. Se agora o inimigo, ao invés do sangue simbólico aspergido nas portas, vir brilhar no sangue dos fiéis, portas do templo dedicado a Cristo, o sangue verdadeiro, fugirá ainda mais para longe.
Queres compreender mais profundamente o poder deste sangue? Repara de onde começou a correr e de que fonte brotou. Começou a brotar da própria cruz, e a sua origem foi o lado do Senhor. Estando Jesus já morto e ainda pregado na cruz, diz o evangelista, um soldado aproximou-se, feriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu água e sangue: a água, como símbolo do batismo; o sangue, como símbolo da eucaristia. O soldado, transpassando-lhe o lado, abriu uma brecha na parede de um templo santo, e eu, encontrando um enorme tesouro, alegro-me por ter achado riquezas extraordinárias. Assim aconteceu com este cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício.
De seu lado saiu sangue e água (Jo 19,34). Não quero, querido ouvinte, que trates com superficialidade o segredo de tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico e profundo. Disse que esta água e este sangue são símbolos do batismo e da eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a santa Igreja, pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo batismo e pela eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Pois Cristo formou a Igreja de seu lado transpassado, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa.
Por esta razão, a Sagrada Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão osso dos meus ossos e carne da minha carne (Gn 2,23), que São Paulo refere, aludindo ao lado de Cristo. Pois assim como Deus formou a mulher do lado do homem, também Cristo, de seu lado, nos deu a água e o sangue para que surgisse a Igreja. E assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, também Cristo nos deu a água e o sangue no sono de sua morte.
Vede como Cristo se uniu à sua esposa, vede com que alimento nos sacia. Do mesmo alimento nos faz crescer e nos nutre. Assim como a mulher, impulsionada pelo amor natural, alimenta com o próprio leite e com o próprio sangue o filho que deu à luz, também Cristo alimenta sempre com o seu sangue aqueles a quem deu o novo nascimento.