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Pax et Bonum. (Paz e bem)

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Oração Eucarística IV cantada Caminho Neocatecumenal (1988)

Olha quem voltou!! :D

Hoje venho publicar algo de utilidade pública para o pessoal do Caminho Neocatecumenal.
Muitos, desde que foi publicada a 5ª edição do fichário de cânticos Ressuscitou, estão perguntando sobre como seria a melodia da IV Oração Eucarística (1988) que caiu de surpresa nas páginas [amarelas] 185-188 do fichário.

Enfim, anos a fio depois, consegui encontrar uma gravação horrível dessa Oração Eucarística cantada, em espanhol (aquelas gravações em fita - lembra de antigamente? Não tinha CD na época, era tudo fita -, toda distorcida, típica daquela fita que deve ter enroscado no rádio).
Mais quase dois anos depois, e eis que consegui, finalmente aprender direito e tirar um tempinho para gravar e editar um vídeo com a referida melodia (fazer isso no último ano de faculdade e com TCC não é mt fácil rsrs).

Bem, eu publiquei a melodia no meu canal do YouTube. Confira-a clicando aqui. Há um pouco de ruído ao fundo (meu microfone deve estar no fim da vida...), mas nada que atrapalhe no áudio.

Algumas considerações: olha, não é uma melodia muito fácil (a não ser o prefácio, que é o original de uma das salmodias que se usam para cantar os salmos das Horas litúrgicas). O principal problema é que a melodia explora uma escala muito grande de tons (de tal forma que, em alguns lugares, é necessário cantar grave até demais para que, em outros, se consiga cantar nos agudos mais altos). Para mim, que tenho facilidade para cantar tanto notas graves quanto médio-agudas, já não foi tão fácil. Uma sugestão é que se troque o "Por Cristo..." final pela melodia da Oração Eucarística II (bem mais conhecida e que não sobe tanto), tendo em vista que a nota mais aguda está no "Amém" final. Se isso for feito, talvez seja possível cantar com abraçadeira no primeiro ou segundo traste (já ajuda bastante...).

Como algumas cifras estão erradas no fichário, resolvi escanear as minhas fichas (com os devidos rabiscos) a fim de facilitar para quem quiser aprender essa "nova" (ou esquecida?) melodia (ou mesmo para quem não tem o fichário). Seguem as cifras:




Espero que sejam úteis!
Tenham todos um fim de ano mais que abençoado por Deus e pela Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Anúncio das Solenidades Móveis (texto, cifras e melodia)

Olá, amigos!
Estive fora, mas ainda estou vivo rsrsr

Venho hoje para publicar aqui algo muito útil para a comunidade: o Anúncio das Solenidades Móveis.
Esse é um texto que pode ser cantado ou proclamado pelo diácono na Solenidade da Epifania, e tem a função de anunciar as datas móveis daquelas solenidades que mudam durante o ano a partir da data da Páscoa, além de exaltar o Ano Litúrgico, cujo centro é a mesma páscoa.

Diz o Cerimonial dos Bispos sobre a missa da Epifania: "se tal for o costume local, após o canto do Evangelho, um dos diáconos, ou algum cônego ou beneficiado, ou outra pessoa revestida de pluvial, subirá ao ambão e daí anunciará ao povo as festas móveis do ano corrente" (CB 240).
Na mesma linha, o Diretório Litúrgico da CNBB, também na anotação sobre a Epifania: "Depois da proclamação do Evangelho ou em seguida da Oração depois da comunhão, faz-se o anúncio das solenidades móveis do ano".

Para os que quiserem cantá-lo, eis o link do You Tube onde coloquei uma proposta de melodia, adaptada pelo colega Daniel B. S. Romano:

Clique aqui para ver o vídeo com a melodia.

E, a seguir, a letra com as cifras para essa mesma melodia:
(informações adicionais no final)


Anúncio das Solenidades Móveis
(Para ser cantado – ou proclamado – pelo diácono na solenidade da Epifania do Senhor)

D                        A
Irmãos caríssimos,
                                                                     E              F#m
a glória do Senhor manifestou-se,
                                                                                                          C#m
e sempre há de manifestar-se no meio de nós
     D                                                             A
até a sua vinda no fim dos tempos.

            D                                                                    A
Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo
                                                                                                                E       F#M
recordamos e vivemos os mistérios da salvação.
                                                              C#M
O centro de todo o ano litúrgico
             D                                                                                                                        A
é o tríduo do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado

                                                                                E
que culminará no Domingo de Páscoa,
                                                 A E F#m
este ano a __________.
                              C#m
Em cada domingo,
    D                            A
Páscoa semanal,

       D                                                    A
a Santa Igreja torna presente
                                                         E            F#m
este grande acontecimento,
                                   C#m
no qual Jesus Cristo
            D                                           A
venceu o pecado e a morte.

                             D                                                    A
Da celebração da Páscoa do Senhor
                                                                                                     E                F#m
derivam todas as celebrações do Ano Litúrgico:
                                                            C#m
As Cinzas, início da Quaresma,
       D                   A
a __________;

D                                               A
a Ascensão do Senhor,
                             E        F#m
a __________;
                                                           C#m
Pentecostes, a __________;
                 D                                                                                           A
o primeiro Domingo do Advento a __________.

              D                                                                                   A
Também nas Festas da Santa Mãe de Deus,
                                                    E             F#m
dos Apóstolos, dos Santos

e na Comemoração dos Fiéis Defuntos +
                                                                C#m
a Igreja peregrina sobre a terra
            D                                                      A
proclama a Páscoa do Senhor.

                                                                                             E
A Cristo, que era, que é e que há de vir,
                                                              A E F#m
Senhor do tempo e da história,
                                                                                  C#m
louvor e glória pelos séculos dos séculos.
 D     A

Amém.



Ps.: Para as datas móveis, é necessário procurá-las em um calendário comum. É bem fácil achar essas datas, mesmo que elas não estejam mencionadas no calendário, pois é possível supô-las a partir dos feriados: 1. a Páscoa é no domingo seguinte à Paixão do Senhor; 2. as Cinzas celebram-se no dia seguinte ao do Carnaval; 3. Pentecostes celebra-se dois domingos antes de Corpus Christi; 4. Pentecostes; 5. a Ascensão do Senhor celebra-se no domingo anterior a Pentecostes; 6. o primeiro Domingo do Advento celebra-se quatro domingos antes do Natal.
Também pode ser consultado, facilmente, um calendário litúrgico, ou mesmo o próprio Diretório Litúrgico Anual e da Organização da Igreja no Brasil (Edções CNBB).

Espero poder estar ajudando :)

Feliz 2017!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Kalendas (Anúncio do Natal)

Depois de algum tempo bastante atarefado com alguns afazeres, sobretudo por ser o fim do último ano de faculdade, enfim, estou de volta :)

Hoje venho para contribuir, mais uma vez, para a Liturgia: publico, aqui, as cifras do Kalendas (Anúncio do Natal), que pode ser cantado, conforme sugestão do Diretório Litúrgico Anual, na Missa da Noite do Natal.

Por motivo de informação, o Kalendas é um texto tirado do Martirólogo Romano, onde estão inscritas as celebrações dos santos, solenidades e festas do ano todo, de acordo com o dia. No dia 24 de Dezembro, há este texto, que costuma ser cantado na Missa da Noite do dia 24.

Desde algum tempo já, vem sendo cantado em todas as Missas do Galo na Basílica Vaticana de São Pedro.

Abaixo, seguem as cifras para que seja cantado com uma melodia alternativa, mas fácil do que a original em latim (sobretudo por serem necessárias adaptações no texto para a tradução, o que compromete a métrica da melodia original em latim).
Disponibilizamos, também, um vídeo no You Tube em HD com a referida melodia cantada:
http://www.youtube.com/watch?v=35y4tAHOHEA&feature=youtu.be


Atenção!!!


Atente-se para o número da Lua que há logo no primeiro verso.
Para cada ano, a Lua muda. Ver a anotação em vermelho para o cálculo da lua no fim da segunda página.




E uma tabela com as luas para os próximos anos:



Espero estar contribuindo :)
Paz e Bem!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O Ícone da Virgem do Perpétuo Socorro

Estava hoje olhando algumas atualizações pelo Facebook e achei esta postagem do Frei Glauber Barros, que considero ser de grande valia. Acho que todos, como cristãos, sobretudo católicos, deveríamos saber dessas coisas e, por isso, eis uma contribuição muito proveitosa para tanto: uma explicação detalhada do ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Vale a pena conferir:




1 - No alto do quadro temos as letras gregas "MP ØY", que é a abreviação de "Mãe de Deus";

2 - Coroa. É um tributo aos muitos milagres feitos por nossa Senhora sob a advocação do "Perpétuo Socorro";

3 - Estrela no véu da Virgem. Ela é a Estrela do Mar, que trouxe a luz da luz ao mundo em trevas, a estrela que nos conduz ao porto seguro do Céu;

4 - Acima do anjo ao lado direito de Nossa Senhora está a abreviatura de "Arcanjo S. Miguel" em grego;

5 - O Arcanjo São Miguel apresenta a lança, a vara com a esponja, e o cálice da amargura;

6 - A boca de Maria é pequenina, pois no silêncio guardava tudo em seu coração;

7 - A túnica vermelha, distintivo das virgens no tempo de Nossa Senhora. Sinal de pureza, e também da
força da fé;

8 - As mãos de Jesus apoiadas na mão de Maria, significando confiança e as graças que nos dá por ela;

9 - Acima do anjo ao lado esquerdo de Nossa Senhora está a abreviatura de "Arcanjo S. Gabriel" em grego;

10 - Os olhos de Maria, grandes, voltados sempre para nós, afim de acolher-nos e ver todas as nossas necessidades;

11 - O Arcanjo São Gabriel apresenta a cruz e os cravos, instrumentos da Paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo;

12 - As letras gregas "IC XC", que é a abreviaçao de "Jesus Cristo";

13 - Ao ver os instrumentos que o Arcanjo São Gabriel lhe traz, o menino Jesus se assusta e agarra-se à
mãe;

14 - A mão esquerda de Maria sustentando Jesus: a mãe do consolo que Maria estende a todos que a ela recorrem nas lutas da vida;

15 - A sandália desatada, presa por um fio. Nos desesperos da vida, assustados pelas dificuldades e medos, corremos o risco de perder-nos, mas nos resta ainda um fio, que nos liga à salvação;

16 - O manto azul de Nossa Senhora, símbolo das mães no tempo de Nossa Senhora, significando que ela é a Virgem-Mãe de Deus!



Agradeço muito ao Frei Glauber pela valiosa contribuição.

A todos, desejo um bom dia.

Paz e Bem!

terça-feira, 23 de abril de 2013

Novos rumos para a educação no Brasil

Olá, caros amigos!

Depois de um (longo) tempo, retorno aqui para falar um pouco sobre educação.
Hoje, enquanto esperava o pessoal da casa chegar da faculdade para o almoço, eu dei uma olhada nas notícias da Folha de São Paulo e fiquei, no mínimo, espantado com a manchete do caderno Mercado: "Gigante global de ensino terá cerca de 14% do mercado brasileiro". O tópico frasal da reportagem diz o seguinte: Em uma operação bilionária, o maior grupo de educação do mundo, o brasileiro Kroton, distanciou-se na liderança ao fundir-se com a Anhanguera (o negrito é meu).
Para qualquer brasileiro que vê uma notícia dessas, a primeira impressão que se tem é que a educação do nosso país está tomando um rumo mundial (afinal, a [ex-]líder do mercado mundial, Kroton, fortaleceu-se ainda mais ao fundir-se com a Anhanguera).
Sem mais delongas, vamos direto ao que nos interessa.
Aqui, posso até ser um pouco ofensivo demais para com algumas pessoas, mas se engana profundamente quem pensa que isso é algo de bom para o Brasil. Isso mesmo!
O motivo pelo qual digo isto é bem simples: a educação no nosso país é uma porcaria (para não ter que usar palavras de menor calão) e não foi por acaso que eu escrevi "mercado" acima e fiz questão de grifar.
Com efeito, tomemos a situação de algum país europeu, a Bélgica, por exemplo. Não sei se todos sabem, mas lá não existe convênios médicos particulares (os nossos tantos planos de saúde que temos por aqui). E como é a situação da saúde lá, se não há esse tipo de serviço? Simplesmente um dos melhores sistemas do mundo! Lá não existem convênios médicos particulares porque, se tivessem, entrariam em falência. Mas por quê? Porque o sistema público de saúde de lá é tão eficiente que não se troca por qualquer tipo de convênio.
Eu falei brevemente da situação belga para poder introduzir a discussão.
Você acha que, se no Brasil tivesse um bom plano de educação, haveria tantas instituições de ensino particulares (ainda mais o fruto dessa nova fusão, que se direciona para alunos das classes C e D)?
Abramos os olhos! Percebamos que isso só é possível porque o sistema público é tão defasado que permite brechas imensas (como essa situação que descrevemos). Se realmente a questão da educação (e tantas outras) fosse tão bem tratada, podemos ter certeza de que a situação não seria essa.
Se essa fusão é motivo de alegria para algumas pessoas (ou, que seja, para a maioria), para mim, é motivo de completo desgosto e, até mesmo, desprezo (em certo sentido). Afinal, quem são os únicos que saem ganhando com isso? Para não responder agressivamente como um professor meu, digo que são aqueles que levam à frente a administração do Governo (seja municipal, estadual e, sobretudo, nacional) e os "donos" das referidas organizações de ensino. Para aqueles que acham que é uma grande conquista para as pessoas de classe média e baixa, muito se enganam, já que a única coisa pelo que essas megainstituições prezam é o comércio da educação.
Essa semana eu vi em uma página de uma rede social um manifesto que dizia que um país rico é um país com educação...
Abramos um breve parêntese aqui.
Não quero com isso dizer que eu discordo das políticas do Governo federal, sobretudo ir contra a tão famosa máxima de que um país rico é um país sem pobreza, afinal, prezo muito por isso e acho que todos nós, seres humanos, devemos ter o mínimo de dignidade. Só não concordo com a falta de coerência dele, que, em muito, passa despercebida aos olhos do povo.
Além do mais, procura erradicar a pobreza, mas incentiva a criação de entidades para educação justamente daqueles que mais precisariam de um sistema público de qualidade - os membros das classes C e D.
Fechemos o nosso parêntese.
Devemos atentar para o fato de que caminhamos cada vez mais para o fundo de um poço do qual já quase não se pode ver a luz que vem de seu orifício superior, tão grande é a profundidade em que nos encontramos.
A questão é que será muito difícil que a educação (como a saúde, a cultura etc.) chegue a um ponto em que essa situação seja revertida. Os principais motivos são dois: o primeiro, que se manifesta claramente, é que não temos estrutura para tanto (fruto do descaso por longas décadas, que nos fez chegar onde estamos); e o segundo é que não é de interesse dos Governos revertê-la, afinal, é mais "vantajoso" receber bilhões por ano em impostos dessas instituições (para serem, em muito, roubados) do que se responsabilizar pelo encargo.
Concordo que algumas terceirizações sejam positivas para o progresso do país, mas não em matéria de algo tão essencial para o seu desenvolvimento e de maneira tão efetiva.
Neste ponto, podem me perguntar: então você é contra as instituições privadas de ensino em favor das públicas? Sim. E não.
Na verdade, não concordaria muito também se toda a educação fosse pública, afinal, correríamos o risco fácil de que certas ideologias (que alguns do Governo procuram promover) fossem incutidas aos estudantes, podendo até chegar ao nível de uma "ditadura natural", uma lavagem cerebral (como vemos, por exemplo, na Coreia do Norte).
Eu apoio o ensino público e o privado também, mas, no caso do privado, prefiro que sejam instituições sérias, que não tenham por visão apenas o lucro, e sim a formação dos cidadãos. Afinal, quem pensa que uma escola com essas dimensões (as dessa nova fusão) pensa na formação dos alunos está totalmente enganado. Se assim fosse, não seria tão fácil ingressar em uma universidade com essas. E neste ponto, eu acho que muitos compartilham o mesmo sentimento que o meu: é manifesto que as grandes universidades públicas do Brasil, como USP, UNESP, UNICAMP, UFV, UFRJ, UFBA, e tantas outras são disparadamente mais respeitadas (e, por isso, a dificuldade em passar no vestibular delas), já que têm vagas com ótimas oportunidades e, por isso, são disputadíssimas.
Não querendo me vangloriar, mas tenho que admitir: conheço gente que se formou nessas megainstituições e que sabem menos do assunto em que se formaram do que eu, reles leigo.
Enfim, já está na hora de o povo brasileiro abrir os olhos para a realidade e começar a refletir um pouco sobre onde está indo ao entrar (e se deixar levar) na correnteza das ideologias dos grandes, os quais mal conhecemos o nome e, menos ainda, a audácia (para não dizer a malandragem).

Para quem quiser ver a reportagem, segue o link:
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/04/1267094-fusao-brasileira-de-r-5-bilhoes-cria-gigante-global-de-ensino.shtml

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Nova Evangelização e Fé Cristã

Essa semana comprei o Instrumentum Laboris (instrumento de trabalho) para o Sínodo dos Bispos - XIII Assembleia Geral Ordinária - que acontecerá no  próximo mês. Como de costume, foi feito um levantamento das questões a serem tratadas junto às igrejas particulares do mundo todo. Tais informações foram compiladas e formaram esse documento, e serão usadas no decorrer do sínodo que, dessa vez, irá tratar sobre "A Nova Evangelização para a transmissão da Fé Cristã".
Há quem diga que essa é, senão a, uma das "cerejas do bolo" de Bento XVI, ou seja, algo de grande importância, que vem para complementar tudo o que já foi feito por Sua Santidade até agora... Podemos tirar por base o trabalho que vem tendo o papa, desde o início de seu pontificado, em promover a questão da fé, que, em muito, vem sendo deixada de lado, sendo esquecida: parece que se perdeu o verdadeiro sentido e o valor que tem a fé para a vida cristã.
A publicação dos livros Luz do Mundo e Jesus de Nazaré, de vários documentos, como o Deus caritas est e Verbum Domini e a proclamação do Ano da Fé (através da Carta Apostólica sob forma de Motu proprio Porta Fidei) nos traz um panorama da sua grande preocupação em mostrar Deus e transmitir a fé, fundamentos básicos para a vida do cristão.
Não sem razão Bento XVI já há algum tempo vem frisando tanto a questão da fé. Hoje percebemos uma grande secularização dela, dos valores que o católico tem, fato que conduz a um relativismo e individualismo muito profundos, verdadeiros "pesos", que para nada mais servem senão desorientar a vida da Igreja, que sempre pregou a vivência comunitária, a boa relação entre as pessoas, o Amor, a Caridade (em seu sentido mais amplo, de Caritas, aquele amor incondicional, não meramente assistencial, mas total).
Para tanto, é necessário que haja algo que una as pessoas, um interesse comum, que é a fé, o compromisso cristão sem reservas, a busca incessante pela Vida (não simplesmente a dignidade desta vida, mas a Vida Eterna, fruto da nossa caminhada na fé). Podemos até buscar as coisas deste mundo, essenciais para a nossa "estadia" por aqui, mas devemos aspirar às coisas do alto (cf. Col 3, 2), ou seja, tudo o que fizermos aqui, seja para o louvor e glória da graça de Deus (cf. Ef 1, 6), que é a única coisa de que precisamos, assim como o próprio Senhor nos disse ao dirigir-se a São Paulo: "basta-te a minha graça!" (2Cor 12, 9).
Vivemos neste mundo, mas não para ele. A nossa "estadia" aqui (digo estadia por ser uma caminhada, um tempo, algo transitório) serve justamente para que vivamos de acordo com os preceitos revelados a nós por Deus, para que cumpramos o objetivo da Igreja: "responder ao chamamento universal da santidade" (Instrumentum Laboris, 11 citando Lumen Gentium), que vemos já, com muita clareza, nas cartas paulinas.
Enfim, devemos trabalhar a Nova Evangelização para que a fé seja comunicada com entusiasmo (cf. Instrumentum Laboris, 9). Apenas desse modo é que as pessoas poderão viver seguindo os preceitos que nos foram dados por Deus, por seu Amor.
O Ano da Fé inicia-se em poucos dias, a 11 de outubro, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II e no vigésimo aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica, que são as referências mais acertadas para a construção da nossa fé em Deus, juntamente com as Sagradas Escrituras.
No Brasil, outrossim, vivemos uma realidade ainda mais feliz, não por um motivo, mas dois (relacionados): a próxima Jornada Mundial da Juventude (que irá acontecer no Rio de Janeiro, em plenas atividades do Ano da Fé) e a Campanha da Fraternidade que, no próximo ano, terá como foco a juventude (justamente por causa da JMJ 2013). Não poderíamos ter oportunidade melhor para viver a Nova Evangelização, sobretudo para a juventude, que, em muito, sofre com o secularismo e todos os problemas já ditos antes. A Igreja deve fazer de tudo para que não perca a força que têm os jovens. A nossa missão é transmitir a fé àqueles que ainda não a conhecem.
As cartas já foram mostradas. Basta-nos fazer nossas "estratégias" para que as pessoas conheçam a verdadeira alegria de viver em Cristo e manifestem em suas vidas tal vigor. Subsídios não nos faltam (e não irão faltar, já que uma grande quantidade de materiais está sendo produzida para promover todos esses eventos).
Agradeçamos a Deus por nos permitir viver tamanha graça!

Paz e Bem!




sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Viver na presença de Deus

Hoje, navegando pelo Facebook, encontrei uma publicação do amigo Eduardo Hennerich em seu blog que me inspirou a escrever algumas palavras por aqui.
No texto, ele cita uma bela frase do grande filósofo do século XVIII Jean Jacques Rousseau: "conservai a vossa alma em estado de dizer sempre que há Deus, e nunca duvidareis da sua existência".
Estas palavras, apesar de simples, nos conduzem a uma reflexão deveras profunda, dependendo da análise feita. Gostaria de me desdobrar aqui, brevemente, e tentar discorrer sobre alguns pontos que podem (e devem) ser levados em consideração, ao menos, por um cristão.
"Conservai a vossa alma em estado de dizer sempre que há Deus". Aqui encontramos palavras que se complementam e reforçam-se mutuamente: "conservai" e "sempre". Obviamente, Rousseau fala de um estado de permanência ao considerar que a alma deve deve dizer que há Deus: "sempre há Deus".
Primeiramente, devemos nos ater ao conhecimento de Deus. Ora, como diz o adágio popular: "ninguém ama o que não conhece" e, para dizer que sempre há Deus, é necessário conhecê-Lo.
Tal processo pode parecer muito fácil descrito desta maneira mas, como sabemos, é um grande mistério o conhecimento de Deus, sobretudo por ser Ele um ser soberano, a plenitude do ser, e que somos limitados (como criaturas). Por isso não podemos conhecer plenamente a Deus.
Entretanto, como já nos dava o exemplo Santo Agostinho de Hipona, devemos nos empenhar em buscar o Senhor, e ele, inclusive, já dá a dica: só podemos conhecê-Lo a partir do nosso interior. Santo Anselmo de Cantuária, baseando-se em Agostinho, dizia que é necessário que entremos no mais profundo, nos recônditos de nossa alma, levemos junto apenas aquilo de que precisamos para encontrar a Deus e fecharmos as portas (cf. Proslogion). Ali é que vamos encontrá-Lo. Entretanto, voltando para o bispo de Hipona, conhecemos a Deus procurando no interior, no mais íntimo do íntimo (daí a célebre frase de Confissões X, XXVII, 38: Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro de mim e eu fora [...] Tu estavas comigo e eu não estava contigo"). Para Agostinho chegar a essa conclusão, foram necessários anos e mais anos de vida e de experiência, de conversão, de busca, de reflexão... Foram anos difíceis, foi uma busca difícil, como a nossa é, mas ele conseguiu encontrar (bem como outros na história e, mesmo, hoje, dos quais temos os testemunhos).
Como Anselmo aborda no já citado Proslogion, há questões que se devem conhecer racionalmente (sobretudo para que não se cometam enganos de interpretação), mas há, também, paradoxos, que, como nos afirma o santo, só podem ser entendidos à luz da Revelação (mais especificamente, Sagradas Escrituras e Sagrada Tradição) e as Escrituras nos orientam de maneira perfeita rumo ao conhecimento divino.
Aqui é onde reside o problema: para que se conheça a Deus, é necessário que se conheça bem as Escrituras e o Testemunho Apostólico. Entretanto, tal conhecimento falta em muito na vida das pessoas, de um modo geral, ou por falta de formação, ou por ignorância que, convenhamos, é uma realidade muito evidente e que está muito presente na vida do mundo.
Quanto a isso, só posso citar o Evangelho do 21º Domingo do Tempo Comum, ano B, que celebramos há algumas semanas, onde Jesus exorta com veemência na sinagoga de Cafarnaum a todos os que ali se encontravam (de discípulos a mestres da lei), dizendo o que deveria ser feito para que se alcançasse a salvação. Muitos, entretanto, ficaram espantados e acharam que aquela palavra era dura demais para ser ouvida...
Jesus, entretanto, pergunta: "Isto vos escandaliza?" (Jo 6,61) e completa: "O espírito é que vivifica [...] As palavras que vos tenho dito são espírito e vida" (Jo 6, 63). Mesmo assim, muitos deixaram de segui-Lo a partir deste momento, pois acharam que não seria possível viver daquela maneira. Então, Ele se volta para seus apóstolos e pergunta se eles também não irão querer debandar, ao que respondem: "Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna! E nós cremos e sabemos que tu és o santo de Deus" (Jo 6, 68-69).
A situação em que vivemos nos conduz, quase que automaticamente, a nos colocarmos em retirada da presença de Deus, esquecê-Lo, juntamente com grande parte dos que estão à nossa volta, dizendo que a exortação e o chamado que Ele nos faz são duros demais para se ouvir e viver. Aqui perguntamos: "isto vos escandaliza?", então podeis ir embora com os outros todos que simplesmente rejeitam a missão a que foram enviados e negam que há Deus, pois negar o Seu projeto é negá-Lo!
Ao contrário da grande maioria, somos convidados a abrir os nossos corações e acolher a Palavra do Senhor, por mais dura que possa parecer, afinal, tudo o que temos e fazemos é para a Sua glorificação e nada podemos sem o seu patrocínio: somos levados a repetir o que disse Pedro, afirmando que somente em Deus é que encontramos a vida eterna e reconhecer que Cristo é o Santo de Deus. Foi justamente isso que fez Santo Anselmo, ao afirmar que a razão tem um limite que só pode ser superado pela fé.
A palavra do Senhor nos é dura? Eu digo que na maioria das vezes é, mas precisamos nos lançar inteiramente no Seu Amor e nos deixar conduzir pela sua graça, afinal, é a única coisa que o próprio Deus diz que nos basta, através de São Paulo (2Cor 12,9).
Diante disso, nos deparamos com uma questão muito evidente: o pecado. Como me entregar ao amor de Deus se o pecado me derruba?
Aqui não devemos pensar na queda, mas sim no levantar-se, em Cristo, como novas criaturas. O que fez aquela multidão se afastar das palavras de Jesus na sinagoga de Cafarnaum foi justamente o reconhecimento da sua miséria e a falsa impressão de que não poderia levantar-se. De fato, não conseguiram. Com efeito, só é possível vencer o mal apoiados em Deus, ou seja, aqueles que ficaram, reconheceram que eram limitados, pecadores, mas deixaram-se tomar pela graça divina e levantam-se todos juntos (aqui precisamos a importância da comunidade para a vivência cristã autêntica). São pessoas determinadas, confiantes, que disseram seu sim a Cristo e não ficaram pensando nas suas misérias, pois sabiam, tinham a certeza de que não precisavam se preocupar com elas, já que estavam ao lado do protetor.
Ora, ao viver essa entrega total a Deus, não há como se negar a presença dEle e nEle, ou seja, é uma presença contínua, sem fim, para sempre, é a certeza de que só assim é que se pode viver alegremente. Tal estado de espírito nos leva, automaticamente a reconhecer a cada momento que tudo o que acontece vem de Deus, foi feito por ele.
Todo esse processo se faz necessário para que se conheça, da forma mais correta possível, a Deus. A partir de tal conhecimento, automaticamente, se proclamará que Ele é o único que pode trazer a alegria, a salvação.
Levando-se em consideração que quem conhece é a alma (uma concepção geral na filosofia), se ela conhecer a Deus, não poderá dizer que não há esse Deus, pois estará criando uma contradição em si.
Assim, voltamos à frase de Rousseau: "conservai a vossa alma em estado de dizer sempre que há Deus, e nunca duvidareis da sua existência". É necessário que conservemos nossa vida, nossa alma, de acordo com o que nos diz o próprio Senhor. Dessa forma, diremos que sempre há Deus e, decorrente disso, nunca duvidaremos de sua existência. Percebam que esta segunda parte vem justamente para justificar a primeira, é como que um resumo de tudo o que foi descrito acima. Mais do que uma simples consequência da premissa anterior, é a maneira como devemos proceder.

Espero ter ajudado um pouco. Já há um bom tempo vinha pensando no assunto e só esperava a oportunidade específica, o kairós, para poder publicar.

A publicação do blog do Eduardo pode ser encontrada no link: http://pugnaspiritualis.blogspot.com.br/2012/09/2-nao-deus.html

Cordialmente,
Paz e Bem!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A menina Vitória

Para aqueles que se interessarem, segue o vídeo-reportagem da menina Vitória, anencéfala de dois anos que desafia a ciência por viver tanto tempo sem a ajuda de aparelhos.
Não tenham medo. O vídeo não é repulsivo, muito pelo contrário: transmite uma paz e uma alegria ao ver aquele olhar tão sereno de seu rosto, como quem reconhece o amor que recebe dos pais.
Vale a pena ver e compartilhar! Impossível não ficar emocionado.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Mensagem aos Ministros do STF acerca da aprovação da ADPF 54

Aos Excelentíssimos Senhores Ministros do STF.

Diante do cenário em que vivemos e da atual polêmica, por assim dizer, da aprovação da ADPF 54, não poderia me furtar em dirigir-lhes algumas palavras.
Como Vossas Excelências já devem prever, a causa do envio deste e-mail é justamente a legalização do aborto de crianças anencéfalas durante o período de gravidez.
Não posso, aqui, me colocar no lugar da nação brasileira, já que, infelizmente, nem todos pensam como eu (e respeito a liberdade de expressão, por isso, inclusive estou me manifestando), mas sei que muitos deles concordam com minha opinião, assim como suas caixas de entrada devem estar sendo cheias por e-mail's semelhantes aos meus (e torço para que isso não seja somente uma suposição minha).
Nestes tempos em que vivemos de liberdade de expressão, devemos levar em consideração que a vontade de alguns, por mais destaque que possuam, não pode ser usada como opinião geral. É justamente por isso que estou enviando esta mensagem. Não concordo com o fato de se tirar a vida de um ser humano indefeso. Sei que esse argumento já é bem usado e, por isso, pode não denotar o que realmente quer dizer por si só, infelizmente. Usarei, pois, alguns outros para ver se consigo me manifestar de forma melhor.
Primeiramente, matar um ser humano, esteja ele na condição em que estiver, é, antes de tudo, violação da moral humana e da Constituição Federal de 1988 (cf. Art. 5º). Se fôssemos analisar por esses dois motivos, já seria motivo de embargo da ADPF 54. Entretanto, gostaria de ir mais além.
Uma família que preze por seus valores NATURAIS, não teria coragem de cogitar abortar um filho. Contudo, nos padrões atuais, vendo a situação em que vivem as famílias hoje em dia, percebemos claramente que seus valores não importam mais. Antes de Vossas Excelências pensarem em fazer leis que ajudem essa desunião, deveriam se preocupar em elaborar projetos que protejam a família, não tanto no caráter material, mas social, moral, ético. Como já estamos cansados de ouvir falar, a família é a base da sociedade, ou seja, esta não existe sem ela. Falo isso porque venho de uma família que, não me engrandecendo por isso, mas exortando-os, preza pelos valores que possui por natureza, a começar pela vida, e hoje percebo claramente que tais valores que me foram ensinados desde o berço estão sendo corrompidos pela sociedade que não tem juízo para perceber a desgraça que está atraindo. Outras famílias podem já ter sido destruídas pelo individualismo, pelo relativismo e por tantos outros que vemos hoje na vida no mundo e, justamente por isso, concordam com seu projeto. O conselho é que, primeiramente, deveriam ser re-educadas nos bons valores para depois Vossas Excelências não precisarem perder seu tempo projetando determinações como a ADPF 54, uma vez que não seria necessário e, mesmo que se cogitasse fazer algo do tipo, seria facilmente rebatido.
Está na hora de se fazer o que DEVE ser feito, e não mais o que se faz por impulso, para agradar alguns, ou mesmo a maioria, mas uma maioria pervertida por costumes deturpados devido às más administrações.
A liberdade de expressão é uma realidade e não deve jamais ser contida, já que é um direito de todos. Entretanto, não podemos nos esquecer de que vivemos em uma comunidade, um país, uma nação, todos somos o Brasil e isso também deve ser levado em consideração.
Lembremos que a medicina sempre busca a vida. E hoje, devemos agradecer porque ela já chegou a um nível em que muitas doenças já podem ser curadas e muitas outras, tratadas. Não quero com isso dizer que a anencefalia tenha cura, já que é é um problema de má formação, mas o problema está no fato de o homem achar que as leis humanas superam as leis naturais. Se a pessoa (porque o é, querendo ou não) vai morrer por causa da anencefalia, não cabe a nós, seres humanos, dotados de razão, antecipar isso. Ao contrário, devemos amá-la, desde o momento de sua fecundação até o momento de sua morte, como amamos nossos pais, filhos, cônjuges e tantos outros aos quais temos um afeto especial.
Tenho mais alguns argumentos, mas deixarei-os para outra ocasião, pois temo que estes, somados aos outros, por comporem um texto demasiado longo, possam ser tratados com superficialidade por Vossas Excelências e, se assim fosse, eu nem teria escrito este e-mail, já que a minha intenção é a de sensibilizá-los a respeito de alguns pontos da maneira mais clara e profunda possível.

Desde já, agradeço a atenção e fico no aguardo de uma possível resposta SATISFATÓRIA a respeito do assunto.

Atenciosamente,
Elias Pavan.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O encontro do homem das dores com a mulher dolorosa

Publico a seguir um texto muito bonito, de autoria do amigo padre dom Gregório:
"Encontro! Da realidade e da amplidão de significância desta palavra depende tudo na vida. Tudo se origina de um encontro. Tudo de bom, tudo de menos bom. Do encontro amoroso eterno da Santíssima Trindade originou-se, como transbordamento de amor, a Criação de tudo que existe. Do encontro de Deus com o homem, obra sua, originou-se uma história de amor e harmonia que, rompida pelo pecado, se tornaria “história da salvação”. Dos vários encontros de Deus com os homens ao longo de tal história, originou-se um povo chamado a ser sinal erguido entre todos os povos, um sinal que propagasse a “saída” para a nossa vida: esta saída era a comunhão, a aliança com Deus. Muitos encontros ao longo dos tempos revelaram-nos Deus fiel, amante do ser humano fraco e propenso à infidelidade. Mas um encontro excelente, inigualável, estava ainda por acontecer... E aconteceu no evento maravilhoso da encarnação, quando a doação e o esvaziamento infinitos de Deus encontraram a acolhida generosa de Maria: E o Verbo se fez carne e habitou entre nós... Desde então, Deus voltou a passear com os homens sobre a terra, tal como descrito no Gênesis sobre os primeiros dias da criação. Desde este encontro, o caminho foi redescoberto, o caminho para Deus indicado no rosto tão humano de Jesus! E este rosto tão humano de Jesus não fez outra coisa senão revelar o rosto do Pai: misericordioso, acolhedor, perdoador, benigno, compassivo, infinitamente paciente, e, por estas mesmas razões, todo poderoso. Mas este rosto tão humano de Jesus mostrou também ao Pai o rosto de cada pessoa que vem a este mundo: rosto de menino, de jovem crescendo e confrontando-se com o mundo, de homem que trabalha, de mãe que sofre calada, de medo da morte, de sensação de fracasso, de lágrima quente de amor, de intuição do abandono... Jesus realmente nos revela Deus! Jesus realmente nos revela a nós mesmos... O menino especial de Belém, o adolescente e jovem oculto de Nazaré, o homem que vai tomando consciência de sua origem sem igual, o Filho de Deus que vai revelando o Pai enquanto instaura e anuncia um novo Reino por onde anda... avançava para um encontro definitivo, depois do qual, livre das leis do tempo e do espaço, se encontraria com todos os seres humanos permanentemente, pois, atraindo-os para Si, iria habitar em seus corações fazendo dos mesmos o templo de Deus... O menino avançava para o encontro pascal com a cruz, para o abraço ao santo lenho que mudaria para sempre a história do mundo, pois vencida a morte a partir de dentro torná-la-ia inofensiva a todos... O Filho do Homem avançava para o encontro do Calvário, mas antes, uma vez mais, de modo triste e terno, encontra-se na via crucis com a sua Mãe que logo mais passaria a ser, aos pés da cruz, nossa Mãe. Em Maria, nossa melhor expoente, nossa máxima representante, se dava o encontro do Filho com a Mãe, mas ao mesmo tempo o encontro de toda a humanidade com Deus! Doravante a dor e o sofrimento humanos são povoados por uma presença materna; doravante a dor e o sofrimento das mães são preenchidos e habitados por uma presença divina. Nenhuma lágrima humana cai no vazio, no sem-sentido. Não! Todas são recolhidas e guardadas no coração de Deus. A ternura corajosa de Maria, vencendo a brutalidade hedionda daquele cortejo de subida de três condenados ao Calvário, comoveu o Céu para sempre... Naquele encontro o Céu também ganhou uma Mãe, Rainha dos Anjos e dos Santos. Uma Mãe compassiva. Neste momento, resplandeceu já a vitória da Ressurreição... Mas... Ainda que não tivesse se dado a Ressurreição, graças a este encontro de Jesus sofredor com Maria desolada no caminho para o Calvário, saberíamos do sentido da dor e do sofrimento do Filho do Homem e de todos os homens: tal sentido reside no amor, no amor expresso nos olhares cruzados de Jesus e Maria... Oxalá também nós, em nossas via-crucis cotidianas, cruzemos o nosso olhar com os olhares de Jesus e Maria... Então o sentido brilhará. Então a salvação entrará em nossa casa.
Pe. Dom Gregório Maria Botelho, OSB Oliv."
Lindo texto, reproduzido aqui na íntegra. Sugere reflexão profunda, sobretudo neste tempo de conversão em que vivemos. Muito bom para pensar no sentido da Semana Santa, como forma de ajudar a, de fato, reconhecermos o verdadeiro mistério que iremos celebrar logo mais, na Solenidade das solenidades, a Páscoa.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Novos caminhos, nova vida, ao serviço do Senhor

"Devemos fundamentar nossa fé, a exemplo de São Paulo em suas comunidades, na ressurreição de Jesus".
Foi com estas e muitas outras sábias palavras que dom Joaquim Wladimir Lopes Dias exortou o povo de Deus em sua última missa na Diocese de Jundiaí, ontem (14.03.2012), às 19h na capela da matriz da Paróquia Nova Jerusalém.
Na ocasião, durante o Santo Sacrifício, no momento da homilia, ele fez um chamado à conversão e à entrega a Deus, sobretudo enfatizando a liturgia do dia e o tempo da Quaresma em que vivemos.
Nossa fé deve ser sustentada, realmente, pelo acontecimento que estamos esperando: a Páscoa, na qual celebramos a maior festa, a maior alegria das nossas vidas: o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. É certo que isso celebramos todos os dias, mas não da mesma maneira, não com a mesma alegria como celebraremos no próximo dia 07.04, na Vigília da Páscoa.
"Não está aqui: Ressuscitou!" (Lc 24, 6). Esse deve ser o motivo por estarmos reunidos todos em nome de Deus, justamente por ele não estar mais onde estava, onde deixaram-no, mas por estar onde Deus quer.
É nesse sentido que, como que fazendo uma ponte, desejamos todos a dom Wladimir muita paz e que ele possa cumprir o chamado do Altíssimo na Arquidiocese de Vitória, como auxiliar de Sua Excelência Reverendíssima dom Luiz Mancilla, conduzindo a nova porção do Povo de Deus que lhe foi confiada por meio da Igreja.
Hoje, ao chegar da faculdade no Seminário Diocesano, me lembrei que ele não estava mais aqui, partiu para sua nova morada pela manhã, e senti como que um vazio: alguém estava faltando à mesa do almoço. Há bem pouco ele não está aqui e já está trazendo saudades, como o bom Reitor que foi.
Inobstante, não devemos, nem eu, nem os outros, nos compadecermos disso. Ao contrário, devemos nos alegrar, pois perdemos um pai, mas a Igreja ganhou um Bispo, verdadeiro e legítimo sucessor dos apóstolos, que vai guiá-la e conduzí-la.
"Fiat mihi secundum verbum tuum" Faça-se em mim segundo a vossa palavra (Lc 1, 38). Que Maria, como no seu lema episcopal, possa fortalecê-lo e dar coragem ao senhor, assim como confiou em Deus e não hesitou em dizer seu sim a Ele. O seu sim já está dito. Ficam, agora, as nossas orações para que dê forças na sua nova missão.
Com saudades, lembranças de todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, reconhecem seu grande trabalho por aqui.
Que Deus esteja sempre ao seu lado e que o Espírito Santo ilumine seus passos.

A posse canônica de dom Wladimir será realizada no próximo domingo, dia 18.03, às 9h na Catedral Metropolitana de Vitória, ES, com transmissão ao vivo pela Rede Vida de Televisão.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Carnaval e Quaresma




Um novo (e, ao mesmo tempo, antigo) tempo se aproxima...
Estamos no tríduo intersticial das efemérides momescas (resumindo, carnaval), tempo de alegrias e muita festa.
Teoricamente, esse evento que arrasta as multidões tem, em si, um sentido bem interessante que, apesar de não ser levado tanto em consideração, merece a nossa atenção.

O carnaval é uma festa que remonta dos tempos mais antigos (por volta do século VI antes de Cristo), na Grécia arcaica, onde comemoravam-se as festas bacanais (o nome veio pela tradição romana do deus Baco). Era a situação em que se comemorava a festa da primavera ou o início do ano civil. O tempo foi passando e, de pouco em pouco, já em tempos cristãos, ao invés de se suprimir tais comemorações, os padres da Igreja decidiram por "incorporá-las" no calendário litúrgico. Como eram festas onde se comemorava muito, comia-se muita carne e usava-se máscaras, acabou-se aproveitando a situação para, digamos, comemorar o último dia do ano em que se poderia fazer isso, às vésperas da Quaresma, tempo de jejum e abstinência.
Hoje comemoramos o carnaval e nem sequer nos lembramos do real sentido que tem (mesmo porque muitas pessoas nem levam em consideração que, no dia seguinte, começa um período de quarenta dias de jejum e abstinência e vivem como se fosse um tempo "normal").
Não sou contra o carnaval. Quem quiser aproveitar, fique à vontade, desde que seja desfrutado com santidade e se coloque o verdadeiro sentido no coração).
O que interessa mesmo é a Quaresma, que se inicia após o carnaval, ocasião em que, segundo o Código de Direito Canônico, cân. 1251, "observem-se a abstinência e o jejum na Quarta-feria de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo".
Afinal, para que tais prescrições? Para que fazer jejum e abstinência? Para que se resguardar?
A resposta é bem simples: esse é o tempo de preparação para a maior solenidade da Igreja Católica, a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, ocasião em que se celebra Sua Ressurreição.
É por isso que, por exemplo, na missa, usa-se a cor roxa, não se canta o Glória, não se pronuncia Aleluia, não se batem palmas, não se orna a Igreja com flores coloridas, os instrumentos são moderados etc. Tudo isso para que nos resguardemos e, de certa forma, nos acostumemos com tal maneira de celebrar para que, na celebração da Grande Festa da Páscoa, possamos exaltar com a mais jubilosa alegria, ao entoarmos o Glória, cantarmos Aleluia, batermos palmas com a mais sublime solenidade, ornamentada com os matizes mais diversos e variados em flores nos ornamentos pela Ressurreição de Cristo para a Vida Eterna!
Incrível como a Igreja preza por esse acontecimento de tal forma que propõe uma mudança na nossa maneira de viver para que, quando chegar a hora, possamos exaltar com uma alegria jamais vivida antes.
Bom... Ainda estamos para começar a Quaresma, comecemos a deixar as alegrias da Páscoa para o momento em que iremos celebrá-la e vivamos como cristãos autênticos esse tempo de conversão. Que essa não seja mais uma Quaresma, mas a Quaresma de nossas vidas, a melhor de todas, aquela em que mais vivemos o verdadeiro sentido da
preparação para a Páscoa.
Este tempo nos convida fortemente à oração, à penitência e à caridade. Esforcemo-nos, pois, para que possamos ser mais fiéis a Deus, rezemos para que Ele nos ajude a ser mais santos e que possamos viver esse tempo de Graça nas nossas vidas, deixando-nos converter e ajudando aos pobres, sobretudo em espírito.

Espero poder voltar em breve para escrever
mais sobre esses tempos.

E rezemos todos a Maria, que está junto de seu filho, para que possa nos cobrir com seu manto e nos ajudar a viver esse tempo de recolhimento dignamente, ela que viu seu filho no sofrimento do Calvário e, mesmo assim, continuou até o fim e, hoje, é aclamada como Rainha do céu e da terra. Amém.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo (séc. XII)

Estive dando uma olhada nos meus arquivos antigos e achei esse belo trecho das catequeses de São João Crisóstomo, falando sobre o mistério pascal de Cristo e sua relação com toda a história. É muito bonita. Vale a pena dar uma olhada, é um texto curto.



Liturgia das Horas, vol. II - Ofício das Leituras da Sexta-feira da Paixão do Senhor, p. 415


Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo (séc. IV)

O poder do sangue de Cristo

Queres conhecer o poder do sangue de Cristo? Voltemos às figuras que o profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, disse Moisés, um cordeiro de um ano e marcai as portas com o seu sangue (cf. Ex 12,6-7). Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem dotado de razão? É claro que não, responde ele, não porque é sangue, mas por ser figura do sangue do Senhor. Se agora o inimigo, ao invés do sangue simbólico aspergido nas portas, vir brilhar no sangue dos fiéis, portas do templo dedicado a Cristo, o sangue verdadeiro, fugirá ainda mais para longe.
Queres compreender mais profundamente o poder deste sangue? Repara de onde começou a correr e de que fonte brotou. Começou a brotar da própria cruz, e a sua origem foi o lado do Senhor. Estando Jesus já morto e ainda pregado na cruz, diz o evangelista, um soldado aproximou-se, feriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu água e sangue: a água, como símbolo do batismo; o sangue, como símbolo da eucaristia. O soldado, transpassando-lhe o lado, abriu uma brecha na parede de um templo santo, e eu, encontrando um enorme tesouro, alegro-me por ter achado riquezas extraordinárias. Assim aconteceu com este cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício.
De seu lado saiu sangue e água (Jo 19,34). Não quero, querido ouvinte, que trates com superficialidade o segredo de tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico e profundo. Disse que esta água e este sangue são símbolos do batismo e da eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a santa Igreja, pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo batismo e pela eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Pois Cristo formou a Igreja de seu lado transpassado, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa.
Por esta razão, a Sagrada Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão osso dos meus ossos e carne da minha carne (Gn 2,23), que São Paulo refere, aludindo ao lado de Cristo. Pois assim como Deus formou a mulher do lado do homem, também Cristo, de seu lado, nos deu a água e o sangue para que surgisse a Igreja. E assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, também Cristo nos deu a água e o sangue no sono de sua morte.
Vede como Cristo se uniu à sua esposa, vede com que alimento nos sacia. Do mesmo alimento nos faz crescer e nos nutre. Assim como a mulher, impulsionada pelo amor natural, alimenta com o próprio leite e com o próprio sangue o filho que deu à luz, também Cristo alimenta sempre com o seu sangue aqueles a quem deu o novo nascimento.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sei que estou um pouco atrasado, mas nunca é tarde.
Estava dando uma olhada nos meus documentos e achei o texto das Kalendas de Natal. É um texto muito bonito, proclamado na missa das I Vésperas do Natal. Um texto muito antigo, extraído do Martirológio Romano que cita os acontecimentos que ocorriam no nascimento de Jesus. Abaixo, segue o texto com as divisões para canto e rubricas. Espero que esteja contribuindo com a dúvida de muitos, as quais, um dia, eu também já tive. Aproveitem.

Kalendas


-Vinte e cinco de dezembro. Primeira lua(*).*
Tendo transcorrido muitos séculos desde a criação do mundo,
-Quando no princípio Deus tinha criado o céu e a terra*
E tinha feito o homem à sua imagem;

=E muitos séculos de quando, depois do dilúvio, +
O Altíssimo tinha feito resplandecer*
O arco-íris, sinal da aliança e da paz;
-Vinte e um séculos depois da partida de Abraão*
Nosso pai na fé, de Ur dos Caldeus;

-Treze séculos depois da saída de Israel do Egito,*
Sob a guia de Moisés;
-Cerca de mil anos depois da unção de Davi*
Como rei de Israel;

-Na sexagésima quinta semana, segundo a profecia de Daniel;*
Na época da centésima nonagésima quarta Olimpíada;
-No ano setecentos e cinqüenta e dois da fundação da cidade de Roma;*
No quadragésimo segundo ano do Império de César Otaviano Augusto;

-Quando em todo o mundo reinava a paz,*
Jesus Cristo, Deus eterno e filho do eterno Pai,
-Querendo santificar o mundo com a sua vinda,*
Tendo sido concebido por obra do Espírito Santo,

-Tendo transcorridos nove meses depois da concepção,*
Nasce em Belém da Judeia da Virgem Maria, feito homem:
-Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo*
Segundo a natureza humana.

[Gloria in excelsis Deo!] ou [Deo Gratias] (**)


(*): Para calcular qual a lua, deve-se ver quando é a lua nova de dezembro e contar quantos dias faltam para dia 24. No caso de 2011, a lua nova ocorre em 24 de dezembro, logo, canta-se “primeira lua”.

Se o Kalendas for feito antes do início da missa (entre a monição ambiental e o canto de entrada) não se canta o “Gloria in excelsis Deo” que está no fim entre colchetes e faz-se o Ato Penitencial normalmente. Se for feito antes do Glória, omite-se o Ato Penitencial e proclama-se o “Gloria in Excelsis Deo” no fim, como introdução para o Glória que o segue (se for o caso pode-se omitir este versículo, apesar de ser importante).

(**) No final, pode-se proclamar a antífona Gloria in excelsis Deo! ou Deo gratias. A sugestão é que se cante o Deo gratias se o Kalendas for feito antes da missa e o Gloria in excelsis Deo! se for feito antes do Glória. A melodia sugerida é a do Gloria VIII (missa De Angelis) (no caso do Deo Gratias pode-se usar tanto a melodia do Amen do Glória quanto a resposta ao Ite missa est da mesma missa).

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Carta aos jovens da Paróquia Santa Rosa de Lima - Jundiaí, por ocasião da JMJ 2011 Madri

Aos jovens da Equipe JMJ 2011 da Paróquia Santa Rosa de Lima,
“A vós [...] amados de Deus e chamados à santidade, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.” (Rm 1, 7)
Inicio com esta saudação paulina aos Romanos para frisar a verdadeira identidade de vocês: amados de Deus, como merecedores de toda a Criação e chamados à santidade, que nada mais é do que a aproximação do seu coração ao de Jesus Cristo, da parte de quem, junto com o Pai, é dirigida esta saudação.
O primeiro combate, dentre muitos que virão, está se encerrando e, se eu estou bem informado, vocês são os vencedores. Depois de tanto trabalho, tantas folgas entregues aos serviços, muitas vezes maçantes, hoje vemos que não foram em vão... Uns mais, outros menos, mas, como disse São Paulo, “Quem recolhera muito não teve em excesso; quem recolhera pouco não sofreu penúria” (2Cor 8,15).
Agora está chegando a hora da próxima batalha. “Portanto, deixemos as obras das trevas e vistamos as armas da luz” (Rm 13, 12), para que, escorados na palavra e fortalecidos pelo Espírito de Deus, possam, não ao fim desse evento, mas de toda a vida, dizer como São Paulo: “Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé” e, ainda, concluir: “Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo juiz, naquele dia.” (2Tm 4,7-8).
Vale ressaltar aqui a importância do Espírito de Deus em seu meio. Como disse o saudoso Papa João Paulo II, por ocasião do XIII Dia Mundial da Juventude, no Domingo de Ramos de 1998, “é o Espírito que estimula a missão evangelizadora da Igreja”. Toda essa preparação que vocês estão fazendo é essencial para que sintam o verdadeiro sentido dessa missão que foi proposta para vocês. E é com a força do Espírito Santo que se leva o nome de Jesus Cristo a todos os povos. São Lucas nos cita as palavras que Ele disse aos seus discípulos: “O Espírito Santo descerá sobre vós e d’Ele recebereis força para serdes minhas testemunhas [...] até os confins da terra.” (At 1,8).
Tudo o que vocês irão fazer enquanto estiverem em peregrinação, será feito em nome de Cristo e da Igreja, dos quais são representantes genuínos e fiéis. Isso porque o próprio Jesus nos diz, no fim do Evangelho de São Mateus: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos [...] e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” e, para terem a certeza de que não estarão sozinhos, ele completa: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (Mt 28, 19-20). Percebam que ele não usa o verbo no passado nem no futuro (estava ou estarei), mas sim, no presente, “estou”, para reafirmar que não nos abandona em momento nenhum: estava conosco, está conosco e sempre estará conosco, pois o que é presente por excelência não se ausenta em momento nenhum. Por isso, se alguma dificuldade os afligir daqui para frente, não se esqueçam: “Sede sóbrios e vigilantes. O vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe firmes na fé.” (1Pd 5, 8-9). Essa fé nós encontramos em Cristo, que se faz presente conosco, ao nosso lado, por toda a nossa vida.
Podemos, ainda mais, confirmar isso com a passagem bíblica da Instituição da Igreja, onde Jesus diz a Simão: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno NUNCA prevalecerão sobre ela.” (Mt 16,18), ou seja, apesar das dificuldades por que passamos, jamais o demônio conseguirá nos derrubar, prevalecer sobre nós se estivermos em comunidade, formando a Igreja de Cristo.
Essa unidade da Igreja é citada, também, pelo já mencionado papa João Paulo II: “Escrevendo aos cristãos de Corinto, Paulo insiste sobre a unidade fundamental da Igreja de Deus, comparável à unidade orgânica do corpo humano, na diversidade de seus membros.”
Para nos evidenciar ainda mais a importância que vocês jovens têm para a Igreja, cito um trecho de uma mensagem do Concílio Vaticano II aos jovens, publicada em 7 de dezembro de 1965: “Olhe para ela [a Igreja], e você vai encontrar nela o rosto de Cristo, o verdadeiro, humilde e sábio, o profeta da verdade e do amor, o companheiro e amigo da juventude”. Percebam que tudo converge para o seu bem se, de fato, fizerem essa peregrinação com o espírito renovado e com o coração alegre pela manifestação de Jesus Cristo, cume da nossa fé, nas suas vidas.
Não tenham medo de anunciar a Boa Nova de Deus às nações, pois, como disse o nosso Papa Bento XVI no texto “Como o Pai me enviou, também eu vos envio (Jo 20,21)”, “a fé se fortalece quando transmitida”, e é pela fé que vemos a luz de Cristo, verdadeira luz e, a partir desta luz, poderemos ver a luz que nos ilumina (cf. Sl 36 [35], 10).
Mas, afinal, para que fazer tudo isso?
A resposta encontramos na mensagem de João Paulo II por ocasião do XIII Dia Mundial da Juventude, já citado antes: “Aqueles que aprenderam de Jesus – de modo tão imperfeito e com tanta dificuldade – a orar, amar e partir em missão, agora rezam, e amam genuinamente, são verdadeiros missionários e verdadeiros apóstolos”, isso, porque reconheceram que é em Cristo que receberão a salvação; é Ele o verdadeiro salvador, diante do qual todo o coração se sente inflamado de alegria, pois reconheceram seus mistérios e seu plano de salvação e receberam-no nos sacramentos. A partir daí, não conseguiram guardar tanta felicidade e logo partiram para anunciar que Cristo havia ressuscitado (cf. Lc 24, 32ss). E é por isso que esse papa completa: “Durante a sua vida pública, as palavras e os gestos de Jesus não puderam alcançar senão alguns milhares de pessoas, num espaço e lugar definidos. Agora, essas mesmas palavras não conhecem limites de espaço nem de cultura”.
Bento XVI, referindo-se à missão evangelizadora nos diz que “este é o serviço mais precioso que a Igreja pode oferecer à humanidade e a cada pessoa que procura as razões mais profundas para viver plenamente a sua própria existência”.
Como já é de conhecimento de alguns, o Salmo 67 nos dá uma injeção de ânimo: “O senhor anuncia uma notícia, os mensageiros são um exército imenso. Os reis inimigos fogem, fogem. A dona da casa reparte os despojos.” (cf. Sl 67 [68], 12-13). Essa deve ser a sua alegria! Com quantos milhões de jovens vocês irão se encontrar e, apesar de falarem cada um de um jeito, com idiomas diferentes, todos estarão anunciando na mesma língua, a do Espírito Santo. (Depois que vocês cantarem e dançarem o “Ide e anunciai a meus irmãos” numa roda com gente do mundo todo, cada um cantando do seu jeito, mas todos cantando a mesma coisa, vai ficar mais fácil entender isso...).
O Senhor nos deu uma notícia. Vão! Anunciem-na a todas as pessoas. Esta é a ocasião. Vocês compõem um exército imenso, não só de pessoas, mas de anjos que os acompanham e do Espírito Santo também. É por isso que os inimigos fogem, e o salmista repete o verbo para deixar bem claro que nenhum deles poderá resistir à sua força. Cabe à dona da casa repartir o que sobrou entre o povo. Para explicar, a dona da casa é a esposa do vencedor, ou seja, a Igreja, fidedigna esposa de Cristo, o vencedor por excelência. É por Ele que vocês também são vencedores!
Vão navegar para as águas mais profundas, saiam do comodismo e anunciem, façam “brilhar o conhecimento da Glória de Deus, que resplandece na face de Cristo.” (2Cor 4, 6), e manifestem para o mundo que o sublime deste amor provém de Deus, levando os sofrimentos de Jesus em nosso corpo, para que sejam, também, sinal de que ele está ressuscitado.
Sabemos que a messe é grande e, apesar de muitos, os mensageiros ainda são poucos (cf. Mt 9,37). Por isso, anunciem a Boa Nova para que, cada vez mais, esse exército se fortaleça, tanto no corpo quanto no espírito.
Para propagar o amor de Deus, façam como Maria fez: mais do que na cabeça, ela levou-o no ventre (Jesus), no mais íntimo do corpo, como um sacrário. Assim também vocês devem levá-lo para as outras pessoas: não com a inteligência, mas com o coração, porque é no coração que o Espírito se manifesta. E façam tudo isso por amor, pelo mesmo amor que levou Jesus a se entregar na cruz por todos nós.
Ariane, Elaine, Ester, Everaldo, Guilherme, Lilian, Marcel, Mariana, Murilo, Natália, Priscila, Renato, Tiago, Daniela, Bianca, Nicolas, padre Márcio e Renan (para não haver discórdia, coloquei em ordem alfabética...), a contagem dos dias já não importa mais, afinal, vocês já estão bem próximos da partida, mas não uma partida definitiva, e sim um retiro, onde se deixa o homem velho e se traz o homem novo, com o espírito renovado e, quando voltarem, continuem anunciando a Boa Nova aos povos, não sejam egoístas a ponto de guardar tanta graça dentro do próprio coração, afinal, estará transbordando. Façam com que essa fonte que transborda encha, também, a taça de muitas outras pessoas que têm seu corações como um deserto árido e sequioso, sem água.

E lembrem-se sempre do que São Paulo disse aos Romanos: “A esperança não decepciona” (Rm 5,5).

Meus votos são de boa viagem e que vocês possam se realizar nessa peregrinação, voltar renovados e cheios de histórias boas para contar (estou vendo o Facebook como vai ficar quando voltarem...).
Saibam que eu rezo por vocês todos os dias e não deixarei de dar apoio, que seja através de orações, a todos, afinal, vocês merecem.

Obrigado pela amizade,
Elias.